O som da chuva salgada abafava aos poucos o ruído grave da explosão; as pesadas gotas beijavam a pele suave e despreocupada do Mar, enquanto o mesmo engolia seus filhos, levando-os de volta para casa.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Suave e despreocupada
Ela acordou de repente. No primeiro momento, pensou que ainda estava dormindo. Mas então, seria este o pesadelo mais real que já tivera. As pessoas estavam gritando, chorando, rezando. Até as aeromoças já haviam percebido o fim que ela mesma não havia notado. O avião estava caindo. Numa fração de segundos, sentiu seus pensamentos esmagados entre seu estômago e a poltrona do avião. A velocidade aumentava. Aos poucos, as sensações iam se misturando. As pancadas na poltrona, as violentas sacudidelas do avião, as lágrimas escorrendo em direção as suas orelhas. Apesar de diferentes em tom, altura e vozes, os gritos estavam quase em uníssono. O desespero era uníssono. Sua vida passava como um trem por sua mente. Viu seus filhos, seu marido, seus pais, seus amigos. Lembrou de seu primeiro beijo, de sua formatura da escola, da gravidez, do seu laboratório; tão sonhado laboratório. Como cientista, achou brilhante a comprovação de tal fato realmente ocorrer perante a morte iminente. Pensou nisso como se lhe fossem dadas as chaves do tempo. Para escrever um relatório, não seriam gastos minutos. Mas o minuto ganha o mundo. Sentiu mais um golpe, dessa vez sendo jogada para frente com toda a força... E se foi.
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É disso que eu tô falando!
ResponderExcluirTem algum segredo pra tanta inspiração? pq né
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