Sentada à mesa, ela sente o delicioso cheiro do café, amargo como o adeus de um amigo em um dia nublado. Café: cheiroso, amargo, café.
Estava sentada perto da porta, o que lhe permitia uma boa visão da rua escura, com luzes tênues de letreiros de bares e olhos cansados da labuta do dia.
Logo, chega o café e, com ele, um sorriso em meio à espuma.
O café lhe sorriu e ela sorriu de volta. Um sorriso cheiroso e amargo. Um sorriso café.
Ótima personificação. O café é a companhia da personagem,apesar de seu (dele) sorriso amargo, muito embora seja esta a sua natureza de ser.
ResponderExcluir"Um sorriso em meio à espuma" é o heptassílabo trágico da solidão de quem tem "uma boa visão da rua escura" (escura como o café)e não identifica, no turbilhão das gentes, aquele que com ela possa partilhar um simples café escuro e sem brumas.
Deixo o meu parabéns a Miguel, mais uma vez.
Francisconi.