Eles estão ali há horas. Um olhando para o outro. Vez ou outra, o escultor pegou o pedaço de madeira, sentindo a vida daquilo que já foi um dia, uma árvore. A madeira fez o mesmo. Sentiu a vida daquilo que já foi um dia, um homem solitário. Hoje, um é madeira, o outro é escultor. Não, arte e artista. Arte que já foi madeira. Artista que é escultor.
A madeira se torna arte a partir do momento em que o artista a vê como arte. O escultor vira artista a partir do momento em que vira escultor. A escultura, para os leigos ou desatentos, parece surgir de fora para dentro. Ou nem isso. Para muitos, ela simplesmente surge. Para o artista, a escultura surge de dentro para fora. Ela pede, implora a todo momento para que seja libertada. A arte anseia por liberdade. O artista é solitário até encontrar a arte e ser livre. Ele é sozinho, livre, mas não solitário. A arte não difere do ser humano em nenhum sentido. Muito menos nesse retratado. A arte respira liberdade, e pode-se dizer até, que liberdade é a arte em sua mais ilustre forma.
Ao longo do tempo, o escultor começa a perceber sua obra. Por várias vezes, ele para e observa o que já foi criado. O que há muito ansiava por surgir do nada, começa a conhecer o tudo. Eles estão ali há horas. Um olhando para outro. Vez ou outra, a escultura perdia sua atenção no mundo novo, o que fascinava ainda mais o seu criador. Ela é arte, está livre.
A liberdade é uma só. A arte é uma só.
por que eu ainda me surpreendo?
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