domingo, 9 de dezembro de 2012

Sorriso de amigo

A noite serena invade as ruas vazias, com suas mãos invisíveis a acender gentilmente as luzes tênues dos postes inertes e casas sonolentas. A cidade se ilumina num ritual vagaroso e trivial. Bonito. Longe dali, ao apoiar-se na janela, ela não ouve nada a princípio. Apenas deixa seus olhos se acostumarem com a densa escuridão do bosque a sua frente. Ela sente a brisa fria tocar-lhe a face e sente-se enrubescer. Seus olhos azuis desviam-se das trevas das árvores e se chocam com o céu estrelado. Não se lembrava há quanto tempo não as via, as estrelas. Ficou por muito tempo a olhar para cima, cogitando várias vezes a ideia de começar a contar todas elas, desistindo sempre, com preguiça. Um vento ligeiramente mais forte e mais gelado arrancou-lhe agora uma lágrima dos olhos. Fungou o nariz e abraçou os próprios braços para aquecer-se. Ia afastando-se da janela, quando lembrou-se de olhar para fora mais uma vez. A noite serena invadiu as ruas vazias, com suas mãos invisíveis a acariciar os vigias sonolentos e os gatos que andavam sob as luzes tênues dos postes inertes. A cidade se iluminara num ritual vagaroso, quase divino. Bonito. Longe dali, ao retornar para a janela, ela não ouve nada a princípio. Apenas deixa seus olhos se acostumarem com a negra escuridão do bosque a sua frente. Ela sente a brisa fria tocar-lhe a face, mas não hesitou e com seus olhos azuis, buscou longe das trevas das árvores o que estava procurand... O céu estrelado. Precisava vê-lo novamente. Parecia-lhe um amigo distante que lhe sorria, as estrelas. Pensou em contá-las... Preguiça. Fungou o nariz, apesar de não haver vento, e despediu-se. Da noite serena, dos vigias sonolentos, dos postes, da escuridão. E apenas sorriu para as pequenas incontáveis no negro firmamento.

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