sábado, 24 de novembro de 2012

Crônica das palavras e a criação

Outrora, as palavras rebuscavam-se. Escarafunchavam seus âmagos em busca de uma acepção própria, túrbida que fosse. Abalroavam contra os intelectivos, que as capitaneavam com truculência e enternecimento. A existência era infausta e pungente. Não aparentava haver tergiversação de tal detestável conjuntura.
Eis que algo acontece. As correntes que coadunavam tais palavras foram rompidas. Não mais precisavam ser cativas de pseudos eruditos. Com o decorrer do tempo, a prosopagnosia deu fim às barreiras da sociedade. As palavras agora selecionavam seus falantes. E os escolhiam sem ritos ou preconceitos. Todos eram intelectuais. Todos podiam se comunicar uns com os outros.
E as palavras sabiam seu significado. Sabiam sua função e eram reconhecidas por si e por todos. Não havia mais dúvidas, questionamentos e muito menos prisões. Os falsos reis controladores não mais existiam. Falar se tornou uma coisa boa e gostosa de se fazer. Ler virou hábito e ouvir era prazeroso como um banho de sol. E as palavras eram simples como um ponto. Um ponto final. Sem dúvidas, exclamações ou sentimento de que não acabou... Um ponto.

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